jazigo de nós

o sorriso
crepuscular
do
adeus
que
rasga
o
resto
do
brio

não podemos
fazer
33
anos
de novo

não podemos
nos
aquecer
neste
frio

não podemos
ler a mesma
página
juntos
e
aguardar
o outro
para
folhear
o
livro
da vida
e
prantear
vértices
enciumados
e
enamorados
de
compreensão

é agora
quando
a
primavera
embeleza
nossa
lápide
neste
poema
final

as costelas do seu bruxismo

arqueado
por um
despreparo
em estar
ao seu
lado

quando
me
acho
flor
me
vejo
erva
daninha

quando
me
acho
feijão
me
vejo
farinha

quando
me
acho
seu chão
me
vejo
escada

quando
me
acho
tesão
te
vejo
gelada

quando
me
acho
perfume
me
vejo
solvente

quando
me
acho
vívido
me
vejo
poente

por
parar
de
achar
me
isolo
com
aranhas
dominando
as
paredes
ácidos
fungos
e
tiriças
risadas
poéticas
ou
postiças

enquanto
à
espreita
um
súcubo
um
furto
que
ao
mesmo tempo
me
agita
e
me
tira
a vontade
de
morrer

antes do cianeto

perto demais
feromônios
perto demais
tantos demônios
perto demais
dos meus
pseudônimos

já estamos
velhos
para
eu
me fingir
de
salvação

sou
um
mau
samaritano
daqueles
grotescos
por baixo
dos
panos

e vou
deixar
os belos
versos
para
o
final
como se
houvesse
controle
do meu
derrame
pleural

como
se
ler
poesia
e
entender
poesia
fossem
méritos
lexicais

só conhecemos
a beleza
do
precipício
quando
já é
tarde
demais

deletar antes que ela veja

o gol broxante que nosso time levou no final;
o terço mal rezado no meio de um bacanal;
se deus é pelo teu ídolo eu me alinho ao cão;
se teu seio é real, irreal é minha mão;

estamos de volta por espontânea vingança;
desejo mórbido de morrer quando criança;
peço por algo que me ligue ao teu desespero;
já que entre borders nosso sangue é tempero.

desconfigurado

quanta sirene nos meus pulsos
e inverdades sobre os fatos
só porque é arroz, feijão
e desespero

e o medo
de sentir
dor
solidão
a lacuna
gigantesca
entre
minha respiração
e a
esperança

ser bom
em
ser
triste
é
perder
o resto
da vivacidade
em refluxos
silêncios
e
desconfortos

e
demora
para
café
combinar
com
felicidade
e
meu
espelho
combinar
com
algo além
de
autopiedade

renúncia de mim

o desespero que rodopia
quero sentar e esquecer
quero sentar e ser deus
controlar o ar que entra
independer do ar que sai

pulsão de morte ao amanhecer
pulsão de morte ao entardecer
e eu me sinto indigno
dissimulado
preso
na
armadilha
que eu
preparei
com meus dilemas
com o ímpar
cheio de quinas
e inversões
de prioridades
na agulha
mais
cruel
de se
sentir

e
desesperado
querendo
abraçar
e ser
menos
dor
e ser
menos
o que
foi
ser
menos
eu

L’avventura di Natalia

vendo todas as desventuras do tempo em que éramos juntos em hecatombe
me sinto procurando versos de amor em músicas do Cannibal Corpse
meu mamoeiro não dá frutos enquanto meus cactos imploram por água
e eu sinceramente vou te amar pelo tempo que me arrastará ao fim
mas sou linha de frente quando o assunto é a cólera ressentida
vou seguindo sem flores como leão pacífico cultivando câncer
minha geração que lambe a carniça dos seus antecessores
e a falta de esperança é a única postura sensata e verossímil
pelo tempo no qual as trepadeiras invadem nossa realidade
fazendo nossas vontades serem apenas anestesia e covardia


matrioska succubus

eu quero me inspirar
em qualquer coisa
que não seja
a pestilência
apocalíptica
que perfaz
as minhas
sinapses
intestinais

o fogo amigo
o fogo-fátuo
o fogo
da
sua nudez
sigilosa
no
meu
e-mail
a faísca
dos seus
desejos
matinais

eu quero
escrever
sobre algo
além
deste
hiato
me esquecer
do domínio
das massas
emocionadas
e dos efeitos
do
topiramato

eu quero
me apaixonar
pelos
seus
cristais
carentes
de
significado
ver o
mundo
como
perfeito
paraíso
quando
no seu
âmago
adjudicado




bustiês e pentagramas

você é minha ex
não sei se
ex nunc
ex tunc

ou
se
partícula
expletiva
dos meus
poemas

outrora
êxtase
hoje
expropriação
da
minha
volição

pertence
à
lacuna
do que
desejo
ser
e o
desânimo
que
sou

o
latifúndio
das suas
intenções
megalomaníacas
corrompidas
pelo fato
de você
agora
ser
mera
escada
da
perversão
alheia
e
figurante
do
solilóquio
de alguém

mas
para
mim
você
é
a
incompletude
mais bela
de ser
ex