anedota da culpa

tanta destreza em se perder pela madrugada

e deus não teve piedade dos notívagos que despertam cedo

e deus não derramou sua misericórdia sobre os fadados à loucura da dependência química

e toda forma que há padece na bipolaridade

o diabo sorri e sabe a hora certa de lhe tentar

a história verdadeira dos nossos dias no deserto ninguém sabe contar

ninguém quer se comprometer e se responsabilizar pelo fruto proibido

e a serpente sábia e entediada leva a culpa pelo coito não interrompido que gerou nossas míseras vidas de pequenas vitórias irrelevantes no plano maior

o preço das araucárias

sempre é assim
tão difícil
de diferenciar
raízes
de
codependência

pois
quem
jura
paixão
torna-se
um caldo
raso
que
rechaça
o
interesse

quem
nos
fascina
nos
reprime
e nos
judia
como
cachaça
em dia
quente

o amor
arde
como
o poeta
no
inferno
é como
estourar
bolhas
de
queimaduras
na pele
insana

e o que
era
pra ser
santo
vira
sádico
e o que
era
pra ser
puro
vira
fálico

amar
é
estigma
recorrente
que
precede
a vontade
mórbida
de ansiar
pelo
fim

pseudoanálise

esse perfil
tão saturado
de ato falho
posando
de sacro
puro
e
decente

eu
vejo
as
lágrimas
assoberbadas
de ser
você

arrogante,
por temer
se sentir
miúda

enclausurada,
por ter
seus
valores
nas mãos
alheias

perdida,
pois seu
desejo
não condiz
com a
realidade
que lhe
consome

ainda
que
você
consiga
se
encontrar

eu
nunca
poderei
deitar
minha
língua
neste
destemido
sotaque
britânico

pois
sou
apenas
aquele
que
observa
ressentido
a decadência
de mais
um império
pós
romântico
apocalíptico

eduardo e mônica

o poema
não é
para você
sobre você
ou uma
tentativa
de lhe
contar
segredos
nas
entrelinhas

há muito
que musas
residem
em tumbas
e poetas
são
perdigueiros
caçadores
de
carniça

não tem
ponto
vírgula
ou
exclamação
sobre
a
angústia
de lhe
ver
encarnada

o poema
é apenas
o açoite
sórdido
do
que
nunca
será
solitude
sempre
será
a mais
devassa
solidão